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Notícia do dia: Dr. José Renan recebe homenagem da AMANF

Hoje, durante a cerimônia na Faculdade de Medicina da UFMG na qual o Dr. José Renan da Cunha Melo receberá o título de Professor Emérito, a presidente da Associação Mineira de Apoio às Pessoas com Neurofibromatoses (AMANF) Maria Danuzia Silva Ribas entregará a ele nossa Homenagem Mônica Bueno de 2016, como uma lembrança do nosso agradecimento permanente pela sua contribuição para nossa causa.

O Dr. José Renan, além dos seus méritos como médico, cientista e professor, sempre esteve disposto a nos ajudar no Centro de Referência em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG, especialmente nos casos cirúrgicos mais difíceis, acolhendo nossos pacientes com grande empatia e perfeita competência profissional, dentro da mais genuína medicina pública e humanitária.


O currículo completo do Dr. José Renan
 pode ser encontrado AQUI.



A Homenagem Mônica Bueno foi criada em 2012 e recebeu seu nome em memória da senhora Mônica Bueno, mãe do André Belo, recentemente falecido, porque ela fora a fundadora da AMANF em 2002. Esta homenagem tem a finalidade de agradecer aquelas pessoas que se destacarem pelo seu trabalho em prol dos portadores das diversas formas de neurofibromatoses.

Esta homenagem foi prestada pela primeira vez em 2012 aos médicos Ivo Pitanguy e Mauro Geller (o pioneiro das NF no Brasil) e em 2014 para o Dr. Vincent Michael Riccardi, o pioneiro no atendimento em genética clínica que, na década de 70, despertou a comunidade científica para o estudo da neurofibromatoses.

Mauro Geller

O Dr. Mauro Geller é Coordenador do Setor de Facomatose do Serviço de Genética Clínica da IPPMG da Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi um dos fundadores do Centro Nacional de Neurofibromatose (Rio de Janeiro) e seu diretor clínico, além de ser membro do Comitê Diretor da Fundação Nacional de Neurofibromatoses dos Estados Unidos. Publicou 6 livros e 9 capítulos de livros, dentre os quais o pioneiro “Neurofibromatose: Clínica, Genética e Terapêutica” de 2004 e em 2012 o “Advances in neurofibromatosis research”, editado em conjunto com a Dra. Karin Soares Gonçalves Cunha. Doutor Mauro recebeu diversos e importantes Prêmios: Certificado de Reconhecimento no Clube de Dirigentes (1992), o Prêmio por Serviços Públicos (1996) e o Diploma de Liderança Honorária (1997), todos concedidos pela Fundação Nacional de Neurofibromatoses dos Estados Unidos. Destaco também o Título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro concedido pela Assembleia Legislativa em 1994. Doutor Mauro Geller produziu, cerca de 180 artigos científicos sobre diversos temas de interesse para a medicina, incluindo as neurofibromatoses. Doutor Mauro Geller orientou dissertações de Mestrado e um doutorado: o da Dra Karin Soares Gonçalves Cunha, cujo talento para a pesquisa em neurofibromatose, recentemente premiado pela Academia Brasileira de Ciências, é um testemunho da grande e positiva influência do seu orientador Mauro Geller.

Se toda esta trajetória acadêmica do Doutor Mauro Geller já é, por si, impressionante, ainda mais marcante é a sua grande habilidade clínica no trato com os milhares de pacientes com neurofibromatoses, e isto é testemunho unânime daqueles que já foram assistidos por ele. Graças ao exemplo pioneiro do Dr. Mauro Geller, os especialistas em neurofibromatoses começaram com ele a existir no Brasil e estamos crescendo em número e capacitação.

Ivo Pitanguy

Há mais de 60 anos Doutor Ivo Pitanguy tem trabalhado incansavelmente para tornar a cirurgia plástica especialidade mais conhecida e respeitada. Ele tem sido líder de diversos serviços pioneiros e de referência internacional, como o Serviço de Queimaduras e de Cirurgia Reparadora do Hospital Souza Aguiar, o Serviço de Cirurgia Plástica e Reparadora da Santa Casa.

Devido à crescente demanda por seus serviços e sua preocupação constante em difundir o ensino e atender a população carente, Ivo Pitanguy criou a 38ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, dedicada ao atendimento da população mais pobre. Aquela enfermaria ampliou o alcance da cirurgia plástica, recuperando a importância social daquela especialidade, onde tem atendido pessoas com neurofibromatoses, especialmente aqueles casos mais graves de deformidades causadas pela doença.

Além das cirurgias que realiza, o professor Ivo Pitanguy apresenta conferências e ministra aulas a convite de universidades e entidades médicas do Brasil e de outras partes do mundo. O professor já participou de 2.064 conferências no Brasil e em outros países, com aproximadamente 1.800 publicações entre livros, capítulos de livros, prefácios, conferências e artigos científicos.

Vincent M. Riccardi

O Dr. Riccardi é o pioneiro no atendimento em genética clínica, que na década de 70 despertou a comunidade científica para o estudo da neurofibromatoses. Ele possui dezenas de publicações sobre neurofibromatose e recebeu em 2008 o Prêmio Von Recklinghausen da Children’s Tumor Foundation pela sua contribuição à compreensão da doença. Dr. Riccardi trabalha atualmente como membro do The Neurofibromatosis Institute, na Califórnia, Estados Unidos.

Dr. Riccardi foi convidado de honra de dois Simpósios Internacionais sobre Neurofibromatoses realizados no Brasil (2009 e 2014), realizando palestras muito importantes para o desenvolvimento científico e para o atendimento clínico das neurofibromatoses. Participou de reunião da AMANF, onde contribuiu com sugestões importantes e examinou diversos pacientes do CRNF HC UFMG.

Dr. Riccardi tem sido um conselheiro à distância em nossos casos mais difíceis e nosso orientador em pesquisas científicas sobre as neurofibromatoses.

Cuidando do futuro



Na semana passada, aposentou-se o médico e cirurgião José Renan da Cunha Melo, Professor Titular (o nível mais alto na carreira de um professor universitário), que dedicou sua vida profissional à Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.



Além de médico, José Renan formou-se em Veterinária e em Direito e vinha sendo um solidário apoiador das pessoas com Neurofibromatoses atendidas no nosso Centro de Referência no Hospital das Clínicas da UFMG.

José Renan sempre esteve disposto a nos ajudar, especialmente nos casos cirúrgicos mais difíceis, acolhendo nossos pacientes com grande empatia e perfeita competência profissional.

Desejo que o José Renan aproveite o merecido descanso para saborear a vida repleta de múltiplos interesses que sua mente brilhante o estimula a seguir.

A aposentadoria compulsória do José Renan mobiliza meus pensamentos sobre a passagem inevitável do tempo. Ela está prevista para todos os professores aos setenta anos, limite de idade para que possamos trabalhar na universidade. Hoje, estou com 66 anos e aposentado, mas continuo trabalhando como voluntário no Centro de Referência em Neurofibromatoses.

Neste caminho, dentro de quatro anos devo também parar de clinicar formalmente, ou seja, de me responsabilizar diretamente pelo atendimento e orientações médicas. Se estiver gozando de boa saúde, pretendo continuar colaborando indiretamente com quem estiver atendendo em meu lugar.

O médico e professor Nilton Alves de Rezende, criador do nosso CRNF, tem se preocupado com a questão da continuidade do nosso trabalho, porque ele também precisará se aposentar alguns anos depois.

Diante disso, doutor Nilton tem buscado o apoio da direção do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da UFMG para tentar garantir que, na nossa ausência prevista, as mais de 800 famílias já atendidas continuem a receber o acompanhamento médico especializado que necessitam. Por enquanto, temos uma promessa da diretoria do HC de destinar ao nosso CRNF uma parte da carga horária (4 horas) de um (a) médico (a) contratado (a) por concurso.

Temos acolhido jovens médicas e médicos no nosso Centro, oferecendo a eles treinamento no atendimento em neurofibromatoses. Há duas médicas, Juliana de Souza e Luíza Rodrigues, que estão plenamente capacitadas para atuarem como especialistas em neurofibromatoses, mas outras demandas em suas vidas não permitem que elas possam, neste momento, assumir alguma atividade permanente no CRNF.

De qualquer maneira, esta perspectiva futura de que os profissionais que hoje atendem no CRNF precisarão descansar em determinado momento, como agora acontece com o querido José Renan, reforça a minha compreensão de que as pessoas e suas famílias com doenças crônicas e incuráveis, como as neurofibromatoses, devem se organizar em torno das suas doenças para a reeducação permanente dos profissionais de saúde.

Ou seja, as associações de famílias e pessoas acometidas devem se apoderar das informações científicas e todos os conhecimentos disponíveis para assumirem o controle sobre sua própria saúde, uma vez que o desconhecimento das doenças raras é comum e inevitável entre os profissionais de saúde.

Caro José Renan, em nome do CRNF, parabéns pela sua aposentadoria e obrigado pelo seu apoio inestimável aos nossos pacientes. Esperamos que seus sucessores no serviço de cirurgia do HC sigam seu exemplo de dedicação, competência e solidariedade.