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Um novo estudo (enviado pela gentileza da Dra. Eugênia Valadares) sugere que a chance de transmitir a neurofibromatose tipo 1 para filhas e filhos pode ser de cerca de 60%, ou seja, maior do que os clássicos 50% ensinados há décadas (ver aqui o artigo completo em inglês).

O que a genética básica diz é que quem tem NF1 tem 50% de chance de passar a condição para cada filho, seja menino ou menina, porque basta herdar uma cópia alterada do gene NF1 (variante patogênica). É a famoso “cara ou coroa” genético a cada gravidez.

Este novo estudo analisou 322 famílias com NF1, somando 701 filhos de pais ou mães afetados. O resultado surpreendeu: 61,1% dos filhos acabaram diagnosticados com NF1 — bem acima dos 50% esperados, com significância estatística muito forte (para quem entende estatística, p=0,000000005).

O desvio para mais apareceu tanto quando era a mãe com NF1 (62,8%) quanto para o pai com NF1 (58,5%), ou seja, não é uma questão de sexo do filho nem do pai ou mãe transmissores. Parece ser um fenômeno complexo na própria transmissão do gene (ver hipótese ao final).

O que isso importa na prática?

– Aconselhamento genético: o cálculo de risco de 50% para cada gravidez, usado há décadas, pode precisar ser revisto para refletir um risco real possivelmente mais próximo de 60%.

– Planejamento familiar e diagnóstico pré-natal: casais com NF1 que buscam diagnóstico pré-implantacional ou pré-natal podem precisar de orientação atualizada sobre a chance real de recorrência.

– O achado não altera outros pontos bem estabelecidos: filhos de pais não afetados continuam com risco baixo (cerca de 1% ou menos) de ter um filho com NF1 por mutação espontânea, exceto em casos raros de mosaicismo germinativo.

O que pode mudar no aconselhamento

  • Risco de recorrência mais preocupante: ao orientar casais em que um dos parceiros tem NF1, é preciso mencionar este estudo recente que observou taxas de transmissão acima de 50% (62,8% quando a mãe é a portadora, 58,5% quando é o pai).
  • Sem diferença por sexo do transmissor: a maior transmissão da NF1 apareceu tanto na transmissão materna quanto na paterna, então não há indicação de ajustar o aconselhamento de forma diferente conforme o pai ou a mãe seja o portador.
  • Mecanismo proposto, não confirmado: a hipótese de seleção clonal de células germinativas NF1-nulas ainda precisa de validação funcional; os próprios autores enquadraram o achado como hipótese para a prática clínica, não como mudança definitiva de protocolo.

O que permanece inalterado

  • Casos novos numa família (de novo): o risco de ter outra criança com NF1 para pais clinicamente sem NF1, mas que tiveram um filho com NF1, continua baixo, cerca de 1% ou menos, pela possibilidade de mosaicismo germinativo — esse dado não foi alterado pelo novo estudo.
  • Diagnóstico pré-natal e pré-implantacional: é necessária a identificação prévia da variante patogênica específica no indivíduo afetado, seja por biópsia de vilo corial, amniocentese ou teste genético pré-implantacional; o ultrassom geralmente é informativo, pois a maioria dos achados fetais não é específico de NF1.
  • Variantes paternas e risco de novo adicional: outro estudo (ver aqui) mostrou que descendentes de homens com NF1 podem ter risco aumentado de variantes patogênicas de novo adicionais (co-ocorrência de duas variantes germinativas distintas em 1:39 famílias, 60 vezes a frequência específica), o que também pode ter implicações para aconselhamento em famílias com NF1 paterna.

Na prática clínica

  • Discussão com a família: ao abordar o risco de recorrência, dizer que a chance de 50% é uma aproximação histórica e que os novos dados apontam para uma transmissão possivelmente maior, sem ainda alterar o valor usado formalmente nas diretrizes vigentes.
  • Testagem molecular: a identificação da variante patogênica na família continua sendo pré-requisito necessário para qualquer teste pré-natal ou pré-implantacional, independentemente da taxa de transmissão observada.
  • Acompanhamento: o aconselhamento psicológico reprodutivo deve continuar incluindo a discussão sobre:
    • a penetrância quase completa (~100%), ou seja, praticamente todas as pessoas com uma variante patogênica apresentam a NF1;
    • a expressividade variável da doença, ou seja, manifestações clínicas e complicações diferentes e imprevisíveis em pessoas diferentes;
    • a gravidade imprevisível mesmo quando a variante é conhecida.

 

Hipótese científica para a maior chance de transmissão da NF1 em pais afetados

A hipótese dos autores é que dentro do próprio embrião (com NF1 herdada ou nova variante) ainda em formação no útero, as células que perdem a função do gene NF1 (chamadas NF nulas) podem ter uma vantagem de crescimento nas primeiras fases da formação das células germinativas (óvulos e espermatozoides). Isso faria com que, ao longo do tempo, uma fração maior dos óvulos ou espermatozoides carregasse a variante do gene alterada — um mecanismo chamado de distorção na razão de transmissão, nunca antes demonstrado na NF1.

A Figura abaixo ilustra o mecanismo (ver texto completo no artigo).

 

Modelo proposto para a TRD observada na NF1 familiar. Neste modelo, um evento estocástico que ocorre durante a embriogênese inicial na linhagem germinativa em desenvolvimento de um indivíduo heterozigoto para NF1 resulta na inativação bialélica de NF1 em uma célula germinativa primordial (linhagem CGP). Isso pode ocorrer por meio de recombinação mitótica entre cromátides irmãs, levando à perda de heterozigosidade com número de cópias neutro (cnLOH) (acima) ou por meio da aquisição de uma segunda mutação (ou seja, variante pontual ou deleção) que afeta o alelo NF1 selvagem (raio amarelo), resultando em heterozigosidade composta (abaixo). A perda bialélica de NF1 confere uma vantagem seletiva às CGPs NF1 -nulas em relação às suas contrapartes heterozigotas, levando à expansão clonal dentro da gônada em desenvolvimento (direita). A gametogênese gera uma proporção maior do que a esperada de gametas haploides mutantes para NF1 (>50%), impulsionada pelo aumento da representação de células germinativas nulas para NF1 (oogônias ou espermatogônias). Para explicar a TRD pronunciada e independente do sexo observada, tais eventos precisariam ocorrer no início da embriogênese — antes da determinação do sexo gonadal (aproximadamente 6 semanas de desenvolvimento em humanos) e em um estágio em que a população de células embrionárias permanece pequena. Este modelo é análogo aos mecanismos subjacentes à tumorigênese associada a NF1, na qual células nulas para NF1 surgem por meio de cnLOH (em pontos quentes de recombinação mitótica), deleção do alelo selvagem ou após a aquisição de uma nova variante no segundo alelo NF1 (segundo evento). 6 , 34 , 35 A caixa vermelha e a estrela roxa denotam alterações patogênicas distintas no lócus NF1 (deleção versus mutação pontual). A cor da célula indica o genótipo NF1 : branco, selvagem; Amarelo, heterozigoto; laranja, NF1 nulo. cnLOH, perda de heterozigosidade com número de cópias neutro; NF1, neurofibromatose tipo 1; PGC, célula germinativa primordial; TRD, distorção da razão de transmissão.

Este estudo foi dedicado em memória do nosso querido Dr. Vincent Riccardi, pioneiro das NF e inspirador de tantas pessoas dedicadas às neurofibromatoses como nosso Centro de Referência.

 

Estamos à disposição para esclarecimentos. Basta enviar sua pergunta em nossa caixa de perguntas ao lado.

 

Texto elaborado com auxílio da OpenEvidence

 

Esta é uma pergunta que recebo de muitas famílias que possuem uma filha ou um filho com NF1.

Para responder com segurança, o primeiro passo é saber se um dos pais tem a NF1.

 

Situação A – Quando um dos pais tem a NF1

Se um dos pais tem a NF1, então a chance de outra criança nascer com NF1 é de 1 chance em 2 (cara ou coroa, 50%) em cada gestação.

Assim, a resposta à pergunta acima seria: – Sim, você tem 50% de chance de ter outra criança com NF1 em qualquer outra gestação.

Ver esta situação na figura abaixo.

 

Legenda: Uma das células germinativas (o espermatozoide neste exemplo) possui a variante patogênica no gene NF1 e fecunda o óvulo (que não tem a variante). A criança apresentará as características da doença.

 

Situação B – Nenhum dos pais tem NF1

Mas se nenhum dos pais tem a NF1, então a chance de outra criança nascer com a NF1 é pequena, igual à da população em geral, ou seja, 1 chance em 3000 (0,03%) em cada gestação.

Se temos certeza de que nem o pai e nem a mãe apresentam critérios evidentes da NF1, mas já tem uma criança com NF1, podemos dizer que a doença desta criança é causada pelo aparecimento de uma variante nova.

Esta variante nova (antigamente chamada de mutação) pode ocorrer nos espermatozoides (80%) ou nos óvulos (20%) e surge por acaso, em pessoas QUE NÃO TEM A NF1, sem que o pai ou a mãe tenham feito qualquer coisa para isto acontecer.

Então, para responder à pergunta acima, precisamos ter certeza de que nem o pai e nem a mãe possuem NF1.

 

Como ter esta certeza?

 

Primeiramente, devemos realizar o exame físico presencial dos pais, conduzido por alguém com experiência clínica em neurofibromatoses.

Na maioria das vezes, este exame é capaz de identificar se um dos pais possui um dos sinais sugestivos de NF1, que são considerados critérios diagnósticos ( VER AQUI CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS 2021 ).

Se nenhum critério diagnóstico é encontrado neste exame clínico, solicitamos o exame oftalmológico dos pais com pesquisa de Nódulos de Lisch antes da dilatação das pupilas.

Se o exame clínico e o oftalmológico não indicam a NF1, geralmente respondemos à pergunta acima: – Bem, provavelmente o risco de ter uma nova criança com NF1 é muito pequeno, mas não podemos dizer que seria exatamente o mesmo da população em geral por causa de algumas situações raras e outras raríssimas (ver abaixo).

Neste sentido, preciso relatar que em nossa experiência no Centro de Referência em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, nos últimos 17 anos e com mais de 1800 famílias atendidas, jamais pudemos comprovar um caso de pais sem NF1 no exame clínico (Situação B) que tenham tido outro filho ou filha com NF1.

 

Situação C – Condições raras

Mesmo que os exames clínico e oftalmológico não encontrem critérios diagnósticos para o diagnóstico de NF1 em um dos pais, pode haver situações raras que geram alguma incerteza.

Por exemplo, se temos alguma dúvida no exame clínico presencial, (por exemplo, um dos pais possui menos de 5 manchas café com leite, ou efélides nas axilas, ou um neurofibroma etc.). Então, é preciso avançar a investigação com a análise do DNA da criança e dos pais.

Se a análise do DNA mostrar uma variante patogênica no gene NF1 do pai ou da mãe, então a resposta à pergunta acima é a mesma da Situação A (acima): – Sim, você tem 50% de chance de ter outra criança com NF1 em qualquer outra gestação.

 

Por outro lado, mesmo que a análise do gene NF1 venha com resultado negativo para variantes patogênicas no gene NF1 do pai e da mãe, há uma possibilidade rara de que um deles possua uma condição chamada NF1 em MOSAICISMO.

O mosaicismo significa que a pessoa possui a NF1 localizada apenas numa região do corpo [(que pode incluir um testículo (ou ambos) ou um ovário (ou ambos)], sem qualquer sinal da doença em outras partes do corpo.

Geralmente, os casos de mosaicismo apresentam alguns critérios diagnósticos visíveis e podemos suspeitar desta condição durante o exame físico. Às vezes identificamos o mosaicismo em partes do corpo que podem envolver os testículos ou os ovários (Figura abaixo).

Se isto ocorrer, corresponde à situação ilustrada abaixo.

 

Legenda: NF1 em mosaicismo na região inguinal de um homem que já gerou uma criança com NF1, atingindo um dos testículos. Se o espermatozoide que fecundar o óvulo for de um testículo acometido pela NF1 em mosaicismo, a criança formada apresentará a forma completa da doença.

A nossa resposta à pergunta acima, portanto, seria: – Bem, não sabemos exatamente a chance de você transmitir a NF1 numa nova gestação, mas provavelmente será entre 25 e 50%.

 

Situação D – Condições raríssimas

Uma outra possibilidade, ainda mais rara, é que a pessoa não apresente sinais de mosaicismo externos (manchas, efélides, neurofibromas, Lisch etc.), mas apresente mosaicismo apenas num dos testículos ou nos ovários, o que poderia produzir células germinativas com a variante patogênica do gene NF1.

Conheço apenas um relato na literatura mundial que comprovou esta situação, portanto é uma condição raríssima (VER AQUI ).

 

Conclusões

Podemos responder à pergunta acima de 3 formas:

  • com probabilidade alta e conhecida de transmissão da doença (50%) quando um dos pais tem a NF1;
  • com alerta para o risco maior quando um dos pais apresenta a NF1 na forma em mosaicismo (entre 25 e 50% – se houver envolvimento de testículo ou ovário);
  • com probabilidade pequena (talvez um pouco maior que 0,03%), quando nenhum dos pais possui qualquer forma clínica da NF1  – ver estudo epidemiológico realizado na Inglaterra em 1989 CLIQUE AQUI

Em todas as situações acima, em que houver risco ou incerteza da transmissão da NF1, pode ser utilizada a inseminação artificial com seleção de embrião (VER AQUI) para a garantia da gestação de outros filhos sem a doença.

 

Dr. Lor

Dezembro 2021

 

Neste último sábado de agosto, durante o Curso de Capacitação em Neurofibromatoses, o Dr. Bruno Cézar Lage Cota nos apresentou de forma envolvente a questão do aconselhamento genético nas neurofibromatoses, ou seja, como devemos usar as informações científicas que dispomos atualmente para tornar as pessoas acometidas mais felizes e integradas socialmente.

Dr. Bruno começou lembrando os diversos sentimentos que podem atingir as famílias quando o diagnóstico de neurofibromatose é feito: medo, insegurança, culpa, raiva, negação e muitos outros. As pessoas presentes conversaram sobre seus próprios sentimentos quando receberam seus diagnósticos e verificamos que a falta de informações adequadas e principalmente a forma como as informações são repassadas às famílias são os dois fatores fundamentais na compreensão do problema.

Além disso, percebemos que pode haver uma grande distância entre os sentimentos da pessoa com NF e sua própria família, por exemplo, a criança pode estar feliz e despreocupada vivendo o presente, enquanto seus pais estão sofrendo antecipadamente pelo futuro sombrio que imaginam.

Diante da importância dos primeiros momentos de contato com a doença, concluímos que são necessários profissionais capacitados para orientarem as famílias, o que já se constitui numa atividade médica bem estruturada em alguns países, recebendo cerca de 3 anos de formação especializada.

O Dr. Bruno mostrou que o aconselhamento genético deve ser o processo pelo qual os pacientes e/ou suas famílias com uma doença hereditária são informados sobre as possibilidades de passar a doença adiante, as consequências de sua evolução e o que pode ser feito para melhorar a vida das pessoas acometidas.

Para isso, os profissionais de saúde especializados em aconselhamento genético devem estar bem informados sobre:

1) Como se faz o diagnóstico e como evolui a doença, assunto que muitas vezes envolve especialistas diferentes e até mesmo diversas profissões.

2) Quais as medidas preventivas, quais as complicações possíveis e quais os tratamentos disponíveis.

3) Qual é o padrão de herança, ou seja, qual a chance daquela doença ser transmitida em cada geração.

4) Quais os aspectos sociais e psicológicos envolvidos naquela doença.

5) Quais as escolhas possíveis diante de uma gravidez presente ou futura.

6) O que é o diagnóstico pré-implantacional e como se processa a seleção de embriões, qual o seu custo financeiro e sua disponibilidade nos órgãos públicos de saúde.

Dr. Bruno apresentou-nos diversas questões que motivaram excelentes discussões sobre as repercussões das NF e foram profundamente debatidas. Por exemplo, o que é um filho “normal”? Qual o ideal de perfeição que a sociedade exige de nós? Existem decisões certas e erradas quanto a arriscar ou não ter um filho com a mesma doença de um dos pais?

Outro aspecto interessante que comentamos foi a grande carga emocional que se constitui para a família para garantir o desenvolvimento pleno de uma criança com alguma doença, a qual limita de alguma forma as suas potencialidades, numa sociedade competitiva e individualista como esta em que vivemos.

Lembramos, como alternativa a ser construída, uma sociedade baseada no pensamento indígena de que para criar uma criança é preciso uma tribo inteira. Ou seja, somos seres sociais e não existimos em plenitude sem o grupo social ao qual devemos pertencer. Por isso, conhecer o impacto social das neurofibromatoses talvez seja o aspecto mais importante do aconselhamento genético.

Em outras palavras, como integrar socialmente uma pessoa e sua família com neurofibromatose?

Ao final, o Dr. Bruno sugeriu a leitura de um comentário que postei neste blog (CLIQUE AQUI ) sobre se mães com NF devem ou não ter filhos, e a leitura do livro “Longe da árvore”, de Andrew Solomon, que também já foi comentado indicado (CLIQUE AQUI ).

Obrigado Dr. Bruno pela sua colaboração delicada e acolhedora.

“No dia 14 de novembro de 2015 meu filho O. faleceu no hospital X com glioblastoma multiforme e um diagnóstico de neurofibromatose dado pelo oncopediatra. 

 

Gostaria de saber como proceder para realizar uma avaliação genética se a doença foi herdada ou foi uma mutação uma vez que somos do interior de Minas Gerais, onde não há esse tipo de atendimento pelo SUS. Temos outra filha de 8 anos. Além disso, desejamos tentar nova gestação mas temos medo de repetir essa situação. Aguardo considerações uma vez que ainda enlutados, ansiamos por diagnóstico genético.” J, de Minas Gerais.

Cara J. Obrigado pela confiança em compartilhar suas dúvidas conosco. Lamento profundamente sua perda e creio que talvez o que possa nos confortar um pouco é sabermos que seu filho deve ter recebido a melhor orientação disponível por parte da equipe que o atendeu, a qual sabemos que tem grande experiência em oncologia.

O tumor que acometeu seu filho (glioblastoma) constitui uma complicação que pode acontecer em pessoas com NF1 um pouco mais frequentemente do que na população em geral. Ainda não sabemos ao certo o como e o porquê estes tumores fora das vias ópticas acontecem e como devem ser tratados, mas há grande esforço dos especialistas internacionais na busca de uma solução para este problema (VER AQUI).

Respondendo a sua dúvida sobre a possibilidade de virem a ter outra criança com NF1, a recomendação é de que o casal que já tem um filho com mutação nova deve ser examinado por alguém com experiência em neurofibromatoses, para afastarmos a possibilidade de um dos dois possuir a forma em mosaicismo da NF1 (ver no blog no campo de assunto NF1 em mosaicismo) antes de decidirem por uma nova gestação.

Ou seja, se nesta avaliação especializada nem você e nem seu marido possuírem critérios para o diagnóstico de NF1 (por exemplo, não têm manchas café com leite nem outros “critérios para o diagnóstico de NF1” – ver no blog), são muito pequenas as chances de terem outro filho com variante nova (como deve ter sido o caso do seu filho, provavelmente a primeira variante patogênica na família).

Assim, existe esta pequena chance de menos de 1% porque, sem o saberem, pais e mães podem ser portadores de uma forma em mosaicismo de NF1, ou seja, a variante estaria localizada apenas em áreas corporais que incluam testículos ou ovários, os quais produziriam metade dos espermatozoides ou dos óvulos com a variante genética.

Uma das condutas simples e imediatas que podem ser tomadas, no sentido de esclarecimento da situação genética de vocês, seria um exame oftalmológico de toda a família (pais e sua filha de 8 anos), no qual deve ser pesquisada a presença de nódulos de Lisch, um sinal na íris que somente está presente em pessoas com NF1.

Se ainda houver alguma dúvida depois do exame clínico, restaria ainda a alternativa de realizarmos um teste genético, pesquisando alguma mutação no gene NF1 dos pais, para esclarecermos melhor a questão.

 

Mas, em geral, o exame clínico com especialista em neurofibromatose é suficiente.

 

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