Crises de pressão alta na NF1

Pergunta de M.P.S. de Macapá: “Tenho sentido crises de ansiedade, meu coração dispara, fico suando, com dor de cabeça e a pressão chega em 17. Tenho 25 anos, nasci com NF1 e isto está acontecendo há uns dois anos. O que pode ser?”.
Cara M., obrigado pela sua pergunta, pois ela toca num assunto importante para as pessoas com NF1.
Começamos respondendo que precisa procurar um (a) endocrinologista, porque os sintomas e sinais que você relata são sugestivos de um tipo de tumor que pode lançar no sangue grandes doses de substâncias parecidas com a adrenalina, chamados Feocromocitoma e Paraganglioma. Essas catecolaminas podem causar os sintomas que você está apresentando.
O Feocromocitoma ocorre em cerca de 2 a 13% das pessoas com NF1, ou seja, é aproximadamente 10 vezes mais comum nas pessoas com NF1 do que na população em geral, embora apenas 1 em cada 5 deles produza sintomas.
Um estudo mostrou que em 15% das pessoas com NF1 e hipertensão arterial também apresentavam Feocromocitoma. Metade delas tinham sintomas no diagnóstico, em torno dos 43 anos (faixa de 14–61 anos). 20% eram tumores em mais de um local e 12% eram malignos (ver aqui o estudo, em inglês).
Portanto, identificar a causa de crises de hipertensão (especialmente quando vem associadas a ansiedade, taquicardia, sudorese e dor de cabeça) é uma medida urgente que preserva a saúde das pessoas com NF1.
Algumas clínicas chegam a sugerir triagem bioquímica periódica para feocromocitoma em pessoas com NF1, especialmente devido ao potencial de apresentação assintomática e às implicações de um diagnóstico retardado (ver aqui estudo de 2026).
Como fazer o diagnóstico?
O diagnóstico necessita da experiência do (a) endocrinologista, mas, em resumo consiste na dosagem laboratorial de metanefrinas fracionadas plasmáticas livres no sangue, que é o teste de primeira linha para investigar feocromocitoma. Caso a dosagem plasmática seja apenas discretamente elevada (menos de 4 vezes o limite superior), recomenda-se confirmação com coleta de urina de 24 horas para catecolaminas e metanefrinas.
Após confirmação bioquímica, precisamos localizar onde está o tumor, o que é feito por meio de tomografia computadorizada ou ressonância magnética específicas, podendo ser necessário o PET CT.
Conclusões
O Feocromocitoma deve ser especificamente investigado em pessoas com NF1 e hipertensão, principalmente acima de 30 anos, com crises de hipertensão arterial, cefaleia associada, palpitações ou sudorese. No entanto, exames preventivos (rastreio bioquímico ou por imagem) em pessoas assintomáticas com NF1 não é recomendado rotineiramente.
Confirmado o Feocromocitoma, o tratamento é cirúrgico e é obrigatório o bloqueio alfa-adrenérgico pré-operatório, seguido de betabloqueio se necessário, para reduzir risco de crise hipertensiva perioperatória e mortalidade.
Texto produzido com auxílio do OpenEvidence®





